Acho que já perdi as contas das vezes em que pensei ter, finalmente, entendido o que é CELULITE e como “Lidar com ela”. Puro engano. Hoje tenho minhas convicções, mas não me surpreenderia se, daqui a alguns meses, tiver de rever meus conceitos. Gostaria de compartilhar com você o que acredito sobre a CELULITE.
Disfunção hormonal: Essa explicação era a mais usada para descrever o “mal” que afligia tantas mulheres e, por serem as mulheres as que mais sofriam com isso parecia não haver dúvidas que os hormônios eram os responsáveis. Essa explicação me incomodava por entender que se fosse assim, praticamente todas as mulheres (a grande maioria) pareciam sofrer desta “disfunção”. A “disfunção hormonal” estava sendo a “regra” por estar quase sempre presente. Será que a maioria das mulheres estariam com “disfunção hormonal?” Acredito que não. Contudo, devido a preferência por determinado sexo denota a influência hormonal, mas não necessariamente um estado “patológico”. O que estou querendo dizer é que a celulite não é uma disfunção hormonal, mas tem relações com os hormônios por ter preferência pelo sexo feminino. Mas porque as mulheres? A resposta parece estar na diferença existente no tecido adiposo da mulher e do homem. Os hormônios são os responsáveis por esta diferença e pela distribuição diferencial da adiposidade pelo corpo na mulher, mas sua influência no aparecimento da celulite parece terminar aí. Voltemos nossa atenção para o tecido adiposo e a diferença desse nos sexos. Pesquisas realizadas na Bélgica (Prof. Pierad) e nos Estados Unidos (Prof. Rosembaum) mostram que, na mulher, existem septos (pequenas cordas fibrosas que separam porções de células gordurosas) mais finos e com orientação “reta” fazendo com que o tecido do adipócito se expanda em direção à superfície, à pele. No homem os septos são mais grossos e resistentes e com orientação oblíqua que direciona as moléculas de gordura, acumuladas no tecido adiposo em direção ao músculo, à profundidade. Esta diferença na “microanatomia” é que faz a celulite estar presente na mulher e não no homem, que é resistente a ela, mesmo ganhando muito peso. (Ver artigo publicado na revista “Mais Saudável”, n 1 e assinado pelo *Dr. Miguel Francischelli Neto pg. 50). O fato da gordura, na mulher, ser direcionada para a superfície e de sofrer a orientação hormonal para depositar-se na região das gônadas (formando as curvas femininas) fazem com que esse tecido fique mais sensível a uma deficiente circulação periférica. Agora sim podemos entender a importância dos cuidados para preservar essa circulação. Sem muito embasamento científico, já se sabia que roupas apertadas, substâncias vasoconstritoras contribuíam para o aparecimento da celulite. Agora, com um “olhar” mais “orientado” analisemos estes cuidados. Se o problema está na circulação periférica devemos concentrar esforços em preservá-la. Não parece haver problemas em entendermos o motivo de se evitar o uso de roupas apertadas. O sedentarismo (ficar muito tempo parada e, sentada, por exemplo) igualmente pode ter o mesmo efeito. Os alimentos têm um papel fundamental. Duas substâncias, em especial, devem ser evitadas: Cafeína e Adrenalina. A Cafeína, de forma indireta (induzindo a liberação de Adrenalina), provoca vasoconstrição e a Adrenalina faz isso de maneira direta. A adrenalina age sobre a circulação periférica diminuindo-a por desviá-la para o profundo. Esta mudança ocorre toda vez que nosso Sistema Nervoso Central acha por bem acionar o Sistema Nervoso Autônomo – Simpático que nos capacita para enfrentarmos situações emergenciais. Quando levamos um susto ficamos brancos, pálidos, isso porque o sangue sai da periferia e vai para a musculatura. Junto com outras alterações ficamos capacitados para “bater” ou “correr”. Quando essas mudanças ocorrem apenas nessas circunstâncias, necessidade de esforço, não há problema, pois o esforço físico faz uso desse “neurotransmissor” sem a ocorrência de efeitos colaterais. O problema aparece quando a mulher tem a liberação dessa substância (Adrenalina) e não faz uso dela. Isso acontece quando usa a Cafeína (café, chocolate, refrigerantes a base de “cola”, chás, etc, enganado o cérebro tomando o lugar da Adenosina e fazendo-o "pensar" que necessitamos estar em alerta - no simpático) ou a Adrenalina (carne vermelha ou escura – usada para produzir força). Estudos recentes mostram que a Nicotina igualmente é vasoconstritora. Você pode estar pensando: tudo bem, já haviam me dito que esses “fatores” contribuíam para o aparecimento da Celulite, mas o que há de “novo”? O “novo” é o entendimento do processo. Quando se entende que a coisa mais importante é a preservação da “Circulação Periférica” pode-se, por dedução, encontrar outros “coadjuvantes” no processo da Celulite e vislumbrar a “saída”. Nos últimos meses tenho ministrado palestras a respeito da relação entre Emoções Negativas e Celulite. Que emoções negativas seriam essas, capazes de provocar Celulite? Basicamente existem duas “emoções” que “acionam” o Simpático que libera a Adrenalina: Medo e Raiva. Essas duas emoções trazem uma conotação de esforço e por isso o Simpático promove um desvio sanguíneo da periferia para a musculatura. Isso explica porque mulheres percebem um abrupto aparecimento de Celulite quando passam por situações onde essas emoções estressantes estão presentes como no caso de separação, doença grave em uma pessoa achegada ou um trabalho onde haja uma “cobrança” muito grande, etc.
- Resumindo, a circulação periférica pode ficar comprometida se:
- Usar roupas apertadas.
- Sedentarismo.
- Alimentos que podem provocar vasoconstrição.
- Café.
- Chocolate.
- Chás.
- Refrigerantes a base de cola.
- Carne vermelha ou escura.
- Emoções negativas.
- Medo.
- Raiva.
- Frio
Pois bem, conhecendo o fator desencadeante da sedimentação da gordura, a vasoconstrição, pode-se fazer algo para amenizar, diminuir ou combatê-lo? Sim. Note que não estamos analisando, ainda, o tratamento da Celulite e sim o aparecimento. Neste prisma, além dos cuidados com vestimenta, alimentação e sedentarismo, coisas sobre as quais temos controle, necessitamos de algo para combater os efeitos das emoções negativas, sobre as quais, nem sempre temos o mesmo controle. O raciocínio é simples. Se não podemos controlar a liberação de Adrenalina devemos usá-la praticando algum tipo de atividade física. Pode-se ainda induzir ao Parassimpático por Respiração Diafragmática ou, massagem relaxante (Neurocirculatória Lenta e Superficial ou Drenagem Linfática Propeli) .
A consideração feita sobre a prevenção e o combate da Celulite deve ser compartilhada entre o(a) profissional e a mulher que deseja evitar ou combater esse mal. É evidente que o esforço de apenas uma das partes não será suficiente. O desconhecimento dos fatores geradores da vasoconstrição coloca em “xeque” qualquer tratamento que objetive a cura efetiva dessa afecção. Por outro lado o conhecimento do “inimigo” a ser combatido traz luz aos procedimentos estéticos e terapêuticos. Somente como exemplo, entendemos porque tratamentos estéticos a base de “frio” são contra-producentes na região com Celulite. O frio provoca vasoconstrição periférica. Um tratamento que não levasse em consideração o estado emocional da “paciente” tão pouco teria resultados. Considerando o que seria apropriado usar para combater a celulite já “instalada” podemos citar os cosméticos de propriedades “emolientes”, a “fragmentação” da celulite pelo Ultrassom e depois a Drenagem Linfática ou ainda usar a “Dissociação Iônica” com os aparelhos de Ionização e em seguida a Drenagem Linfática. Usar Massagem Profunda seria contraindicado nas áreas de celulite severa pois fragilizaria os vasos sanguíneos que se encontram entre "adipócitos sedimentados" - celulite, além de provocar muita dor por compressão de terminais nervosos. A Drenagem Linfática sozinha, pouco faria nestes casos. Um protocolo bem dimensionado seria a solução.
Rubens Balestro
Fisioterapeuta
Massoterapeuta- DIFEP nº1956/SS/POA/RS
Diretor da Escola de Massoterapia SOS CORPO
*Esta explicação foi dada pelo Dr. Miguel Francischelli Neto, baseada nos trabalhos de pesquisas realizadas na Bélgica pelo prof. Pierard, nos Estados Unidos pelo prof. Rosembaum e publicada na Revista "Mais Saudável CELULITE" Ano 1, número 1 da MID Produções Gráficas e Editora Ltda. Rua Horácio Vergueiro Rudge, 329, Casa Verde, São Paulo, SP, CEP 02512-060 - fone (11) 3961-2139 na pg. 49 e 50, em fevereiro de 2001.