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"POR QUE FAZER MASSAGEM?" 

 


          

           Excetuando-se a motivação prazerosa e sendo estritamente terapêutica, vimos que a massagem tem por objetivo atuar no Sistema Nervoso e auxiliar a Circulação de Retorno Venosa e,ou, Linfática. Podemos pretender intervir com a finalidade de  desintoxicar nutrir  determinada área, relaxá-la, produzir analgesia ou excitá-la, mas isso será uma conseqüência do objetivo primário. Sendo assim, deveríamos nos perguntar "por quê" de nosso paciente estar necessitando de Massagem? Em outras palavras, por que o seu sistema circulatório de retorno não esta mais sendo suficiente para “limpá-lo” e, posteriormente, “nutri-lo”? A resposta é que ele (o sistema circulatório de retorno) esta sobrecarregado. Por que acontece isso? Nossos sistemas de “limpeza” (venoso e linfático) atendem as necessidades conforme estiverem preparados. No caso de um atleta, eles serão mais eficientes daqueles que tem uma vida sedentária. Esses Sistemas trabalham de acordo com nossas necessidades. Normalmente eles são mais eficientes à noite, quando descansamos, paramos de sujar. Mas, o que sobrecarrega nossos sistemas de “limpeza”? Ocasionalmente o motivo é que “naquele dia” trabalhamos de mais. Porém, existe algo que transforma “aquele dia” em “todos os dias”, algo que nos faz “trabalhar horas extras” de segunda a domingo. Quando isso ocorre, não há sistemas de ‘limpeza que possam dar conta da “sujeira” criada e acumulada. Essa “sujeira” acumulada  irá deteriorar produzindo a Inflamação ou  “Miosite” (inflamação muscular). Nesse estágio o paciente necessitará da intervenção de alguém que possa ajudar os seus sistemas de “limpeza” a dar conta do acúmulo de sujeira. Possivelmente um médico deverá ser procurado para a prescrição de um “antiinflamatório”. Caso o paciente não buscar ajuda para os seus sistemas de circulação, venosa e linfática, ou parar de fazer “horas extras” (que ele não se da por conta de estar fazendo) passará para o estágio seguinte chamado de "Fibrosite" quando a Fáscia, “pele” que recobre o músculo, perde sua capacidade de alongar-se. O alongamento do músculo  provocará dor induzindo o paciente à uma imobilidade que propiciará condições para o aparecimento de uma Aderência, estado em que a Fáscia  adere ao Periósteo, “pele” do osso. O que fazer então? Como foi descrito o problema foi crescendo. Que estilo de massagem devemos utilizar? Que orientação devemos dar? E o principal: O que provocou tudo isso? Necessitamos dessas respostas se desejarmos combater a causa e não apenas os efeitos. Dissemos que foram “horas extras” em demasia, “horas extras” involuntárias. Como pode ser isso? Para entendermos os fatores envolvidos temos de definir “trabalho muscular”. O músculo está trabalhando quando está contraído, do contrário esta relaxado. Sendo assim, o que fizer um músculo contrair e assim permanecer poderá ser considerado trabalho (horas extras). Além do trabalho voluntário o que mais poderia produzir uma contração muscular involuntária e prolongada? A “Tensão Muscular”, mas por que alguém ficaria tenso? Nervos? Pode ser. Porém deveríamos buscar algo mais persistente, duradouro como a DOR. A DOR gera tensão que por sua vez gera contração muscular, que pode ser definida como trabalho involuntário produzindo “sujeira”, que irá sobrecarregar os Sistemas de “Limpeza” Venoso e Linfático e, como resultado, teremos a inflamação (Miosite) que poderá levar à Fibrosite e a Aderência. Então, temos de combater a DOR? Já dissemos que a DOR deve ser considerada como um alerta de que algo está errado. Finalmente surge a questão: O que está por detrás da DOR? Sabemos o que segue: (DOR > TM  > TRABALHO > TOXINAS > MIOSITE > FIBROSITE > ADERÊNCIA.) Quando estamos considerando o Sistema Muscular e excetuando-se os traumas, a única resposta aceitável é Alterações nos desvios do Eixo da Coluna Vertebral (ADEC). Todos temos os chamados Desvios do Eixo da Coluna. Eles são as Lordoses Lombar e Cervical, a Cifose Torácica e a Escoliose Social. A questão não está em se ter os desvios e sim na Alteração desses desvios para mais ou para menos (ADEC). Sendo assim, quem provoca essas alterações? Não há dúvidas de que é a   “MÁ POSTURA(MP). Parece pouco? Levemos em consideração que a MP atinge “em cheio” a Coluna Vertebral. Levemos em consideração que é da Coluna Vertebral que provém as inervações Periféricas e Simpáticas de nosso corpo. Aprofundando-nos um pouco mais na Coluna Vertebral  temos que a MP pode afetar as Raízes Posteriores - RP (dores nas costas) e Raízes Anteriores - RA (dores nos membros superiores, tórax anterior e membros inferiores), Raízes Simpáticas - RS ( As inervações do Sistema Nervoso Autônomo Simpático saem nos níveis T1 - L2 ). Com a Anatomia e Fisiologia teremos as relações desse Sistema com tremores na vista, pálpebra mais fechada, distúrbios salivares, dificuldades para engolir, dificuldades respiratórias, certas arritmias, problemas gástricos como azia, gastrite e úlceras, aumento da freqüência urinária, etc.. Levemos em consideração que na Coluna Vertebral, no segmento Cervical, encontramos as Artérias Vertebrais (AV) que formarão a Artéria Basilar, grande responsável pela irrigação da região Occipital da cabeça,  base do cérebro,   dos Labirintos e consideremos como o comprometimento dessa irrigação (estenose do óstio das artérias vertebrais) pela MP (cabeça baixa, queixo próximo ao peito, retificando ou invertendo a lordose cervical) pode estar por detrás de uma “dor de cabeça”, memória fraca, tonturas (podendo chegar a labirintite), dificuldades para concentração, etc. Portanto, algo que, de forma persistente, atinge a Coluna Vertebral como a MP, certamente deverá ser considerado pelo massagista que estiver “tratando” algum distúrbio muscular, circulatório ou orgânico,  procurando a CURA DEFINITIVA. Falamos de MP, mas o que é MP? Tente defini-la, não exemplificá-la? 
- Estamos em MÁ POSTURA quando aumentamos ou diminuirmos uma curvatura “natural” de nossa coluna ao ponto, ou pelo tempo, de agredir a folga fisiológica das articulações envolvidas. Que curvaturas “naturais” são essas? Chamamos de curvas da coluna aqueles desvios do eixo anteriormente mencionados. Recapitulando: esses desvios,  podem ser: - Para frente – Lordose. - Para trás – Cifose - Para os lados – Escoliose. Exemplifiquemos os efeitos da MP usando esse novo “paradigma”- aumento ou diminuição das curvaturas da coluna: Quando ficamos por muito tempo inclinados para frente estamos Retificando (endireitando) ou Invertendo a Lordose Lombar e Acentuando a Cifose Torácica. Isso, comprovadamente, provoca DOR. Os Discos da Coluna Lombar e Torácica são projetados de encontro ao Ligamento Longitudinal Posterior (LLP) provocando DOR, pois a bolsa externa do  Disco é inervada pela Raiz Sino-vertebral e o LLP  é inervado pelo Nervo Recorrente / Meníngeo O Disco pode "empurrar o LLP ao ponto de atingir  a Face Anterior da Meninge ” igualmente inervada pelo Nervo Recorrente / Meníngeo, produzindo DOR além de comprometer a circulação dos membros inferiores que terá dificuldades para limpar e nutrir aquela área acarretando mais DOR. Se por outro lado Aumentarmos a Lordose Lombar (acontece quando mulheres usam sapatos com salto alto ou engravidam, ou ainda, quando engordamos) igualmente sentiremos DOR pois  as Facetas Articulares Posteriores das Vértebras são inervadas por ramos da Raiz Posterior que ficarão pressionados. Se Aumentarmos nossa Cifose Torácica projetaremos os Discos contra o LLP provocando DOR em ambos (irritação da Bolsa Externa do Disco inervada pela Raiz Sino - Vertebral e irritação do LLP, inervado pelo Nervo Recorrente / Meníngeo), podendo, Disco e LLP, chegar a pressionar a Face Anterior da Meninge (também sensibilizada pelo Nervo Recorrente / Meníngeo) que envolve as estruturas nervosas do canal medular  ou as Raízes Nervosas que saem ou entram no canal em especial as  Simpáticas que, por posicionamento, são mais vulneráveis que as RA e RP,  produzindo distúrbios de predominância Parassimpática e, em alguns casos, DOR. O colchão “velho” (com uso de aproximadamente 4 anos) e  que cede é, sem dúvida, um dos que mais nos deixam em MP e no horário em que nosso sistema circulatório de retorno pode se concentrar na limpeza pois não estamos em atividade. Examinemos as posições nesse colchão:

a) Quando em decúbito dorsal Retificamos a Lordose Lombar e Aumentamos a Cifose Torácica. Como já vimos isso provoca DOR.

b) Quando em decúbito ventral Aumentamos a Lordose Lombar e Retificamos a Cifose Torácica provocando compressão das Facetas Articulares Vertebrais Posteriores. Isso igualmente provoca DOR .

c) Ao deitarmos de lado estaremos Alterando nossa Escoliose Postural - Social- “natural” provocando, de um lado (o côncavo) compressão das Facetas Vertebrais Posteriores e do lado oposto (o convexo) as Projeções  Discais sobre o LLA ou as Raízes  Simpáticas e, ou Anteriores que por ali passam, igualmente provocando DOR.

Como podemos observar o “Dormir Bem” é requisito fundamental para a recuperação de nosso paciente. É nesse estado, deitado, que ocorre o  importante Reidratamento discal que, caso seja prejudicado, se torna responsável por inúmeros transtornos da Coluna Vertebral. Com relação a Lordose Cervical é bastante claro que a sua Retificação, quando passamos muito tempo com a cabeça baixa (queixo próximo ao peito), provoca tensão (DOR) no músculo Trapézio e outros e as Projeções Discais decorrentes comprometem as Raízes do Plexo Braquial ocasionando DOR nos ombros, braços, cotovelos, mãos, as Bursites- (LER, DORT, Síndrome do Túnel do Carpo)  sem falarmos dos comprometimentos Circulatórios das Artérias Cervicais igualmente responsáveis por DOR O Aumento da Lordose Cervical, quando ficamos muito tempo olhando para cima (pintando o teto), igualmente provoca DOR por Compressão das Facetas Vertebrais Posteriores e a Escoliose Cervical comprime, de um lado,   Facetas Vertebrais Posteriores e direciona os Discos sobre as Raízes Anteriores do lado convexo e o LLA, também provocando DOR. Parece não haver dúvidas que a "ADEC", ocasionada pela  "MÁ POSTURA”, esta diretamente relacionada com as dores de nossos pacientes. Sendo assim, para um tratamento definitivo, ou pelo menos duradouro, nossa primeira preocupação deveria se concentrar em descobrirmos onde esta a "ADEC" e a Má Postura geradora para então  orientarmos nosso paciente a fazer as devidas correções ou modificações. Importa destacar que a Má Postura poderá estar no trabalho, no lazer ou no descanso. Para entendermos melhor o que foi dito acima examinemos a seguinte ilustração: “Uma casa tinha uma goteira, bem no meio da sala. Quando chovia a proprietária da casa chamava a dona “Terezinha” (sem ofensa) excelente faxineira que vinha até a residência com seu material de limpeza e fazia a faxina, reparando os danos causados pela goteira. Após lavar o local, passar cera, e lustrá-lo chamava proprietária da casa e apresentava seu impecável serviço. Recebia o pagamento e despedia-se dizendo: ‘Até a próxima chuva”. Se você fosse   a dona Terezinha, estaria  satisfeito com seu trabalho? Estaria apercebido de que algo mais deveria ser feito? Todos sabemos que o problema não era a poça de água, nem mesmo a goteira mas sim a telha que havia quebrado. Podemos ir além. Por que a telha quebrou? Agora pense: Que tipo de terapeuta deseja ser? Como a dona Terezinha que se contentou em ganhar seu dinheiro fazendo aquele "excelente serviço" de limpeza e aguardando a próxima chuva? Francamente, só poderemos admitir esse tipo de conduta quando não sabemos o que mais fazer. Não queremos dizer que a limpeza não era necessária. A questão é: Era o bastante? Nesse ponto nos damos conta que ser massagista exige o conhecimento de técnicas de limpeza e nutrição mas exige também conhecimentos anatômicos e fisiológicos para saber o que esta provocando a DOR (o que irrita raízes nervosas) e discernimento para descobrir qual a curvatura da coluna que esta sendo ALTERADA ( aumentada ou diminuída), pela  Má Postura. Infelizmente a expressão Má Postura perdeu a importância que lhe é devida. Para solucionar o "descaso" estamos usando a sigla ADEC - (Alterações nos Desvios do Eixo da Coluna) para destacar os efeitos diretos  da Má Postura. Se dissermos ao paciente que o motivo de todas as suas dores (que poderão ser muitas) é a Má Postura  ele poderá ficar decepcionado com nossa avaliação. Mas se usarmos a expressão "você está com ADEC", com certeza, a reação será outra. Finalizando, temos a consciência de que o resultado do tratamento dependerá  fundamentalmente de  SABERMOS ORIENTAR.  

Outras Ferramentas

 
          Existe a Massagem Neurocirculatória   com efeitos de Desintoxicação e Nutrição Muscular pelo Retorno Venoso e Linfático, e efeitos Analgésicos, Calmantes ou Excitantes sobre o Sistema Nervoso. Existe o estilo Drenagem Linfática pelo Método PROPELI
® para a Desintoxicação de Macro-Moléculas pelo Retorno Linfático e com efeitos Analgésicos e Calmantes sobre o Sistema Nervoso, a Drenagem Sinovial que age sobre as cápsulas permitindo a troca e depuração do líquido sinovial, a Massagem Osteossensibilizante que deve ser usada no combate da Osteoporose.   Existem os estilos Reflexos de Massagem que preferimos chamar de Sensibilizantes Podal, Quirodal e Auricular) – com efeitos sobre o Sistema Nervoso e Circulatório. Existem técnicas de recomposição das curvaturas da coluna vertebral - Descompressões Vertebrais. Existe o Protocolo de Avaliação e Atendimento Para os Problemas da Coluna Vertebral e, ou, seus Comprometimentos - Espondiloterapia®. Existem outras técnicas. Poderemos escolher qual aplicar. Contudo, estamos apercebidos de que a verdadeira cura, quando possível, se dará pela Correção Postural.
  
Obs. Chamamos as curvaturas da coluna de “naturais”. Fizemos isso porque todos as têm. Quanto aos seus graus, as curvaturas naturais de cada pessoa, são exclusivas. Com respeito as Escolioses, elas podem ser classificadas em Sociais,  Posturais (Funcionais) ou Estruturais. Necessariamente nenhuma delas produz dor. A dor aparecerá quando forem Alteradas,  aumentadas ou diminuídas, pela Má Postura. As curvaturas estruturais, inclusive lordose e cifose, costumam ser exageradas, apresentando deformação óssea. Contudo, mesmo essas, somente passarão a ser causa de DOR quando Alteradas. 



   
Rubens J. Balestro
Massoterapeuta- difep nº1956/SS/POA/RS
Diretor da Escola de Massoterapia S.O.S. CORPO



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